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PORTUGAL NA PRESIDÊNCIA DA INICIATIVA 5+5 DEFESA Saiba mais sobre o enquadramento do nosso país

terça-feira, 7 de maio de 2013

Visita da DGPDN à República Democrática de S. Tomé e Príncipe para avaliação da execução dos projetos


Realizou-se, entre 2 e 5 de abril de 2013, uma visita à República Democrática de S. Tomé e Príncipe para avaliação da execução dos projetos integrados no vigente Programa-Quadro de Cooperação Técnico-Militar Luso-Santomense, o qual engloba um total de seis Projetos, relativos a diversas áreas. Paralelamente, a delegação da Direção-Geral de Política de Defesa Nacional (DGPDN), liderada pelo Exmo. Diretor-Geral, Dr. Nuno Pinheiro Torres, recolheu junto da Parte Santomense importante informação, visando a elaboração do novo Programa-Quadro de Cooperação Técnico-Militar para o triénio 2014-2016.
À DGPDN compete preparar, conduzir e avaliar a execução das medidas superiormente determinadas para a Cooperação Técnico-Militar com os Países de Língua Oficial Portuguesa. Assim, a DGPDN, no quadro das competências que legalmente lhe estão conferidas, tem a necessidade de avaliar periodicamente a execução dos Projetos de Cooperação Técnico-Militar, nos países onde os mesmos decorrem.
 

Assinatura do Livro de Honra no QG do Exército STP


Visita ao Comando da Guarda Costeira

Visita ao Comando do Exército

 

Doação de material no Centro de Instrução Militar

Moçambique- Projeto 8- Escola de Sargentos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique: Cerimónia de encerramento e graduação do 4º curso de formação de sargentos RV e do grupo de enfermeiros gerais

No passado dia 26 de abril de 2013, realizou-se na Escola de Sargentos das Forças Armadas de Moçambique (ESFA) a cerimónia de Encerramento e de Graduação do 4º Curso de Formação de Sargentos (CFS), do regime de voluntariado (RV) e do Grupo de Enfermeiros Gerais, com um total de 219 militares.
A cerimónia foi presidida por S. Exª o Ministro de Defesa Nacional, Engº Filipe Nyusi e contou com a presença do Vice-Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, os CEM's dos Ramos e de outras entidades, civis e militares.
A cerimónia decorreu de acordo com a seguinte sequência:
- Demonstração de uma pista de aplicação militar e exercícios com toros;
- Cerimónia em parada;
- Demonstração de atividades culturais.

Após o Juramento de Bandeira e apresentado o Código de Honra do Sargento aos finalistas, seguiu-se a promoção dos militares ao posto de Furriel e a entrega dos certificados de participação e de prémios aos melhores classificados.
A cerimónia contou ainda com as intervenções do Comandante da ESFA, do Vice-Chefe do Estado-maior General das FADM e do Ministro de Defesa Nacional.
Após a demonstração das atividades culturais, seguiu-se uma sessão fotográfica para a posterioridade e um almoço de convívio.
 
 

Moçambique- Projeto 8- Escola de Sargentos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique: 07 de abril, Dia da Mulher Moçambicana


O Dia da Mulher Moçambicana é um feriado oficial em Moçambique, celebrado a 7 de abril, data em que se celebra a morte de Josina Machel, esposa de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique. Josina lutou pela independência do seu País, juntando-se à Luta Armada de Libertação Nacional ainda jovem, motivo pelo qual é considerada uma heroína Nacional.

Alunas vestidas com traje tradicional
Este dia serve para refletir sobre a presença e afirmação da Mulher Moçambicana na sociedade atual, geradora de mudanças, com um grito de despertar para a igualdade de direitos e um para Moçambique melhor.

Na Escola de Sargentos das Forças Armadas (ESFA), em Boane, este dia foi festejado com um almoço de convívio, contando com a presença do Comandante e Vice-Comandante, Oficiais e Sargentos desta Escola, os militares do Projeto 8 e as Alunas do 4º, 5º e 6º Curso de Formação de Sargentos (CFS).
 
 
O evento iniciou-se com um discurso do Vice-Comandante, dando de seguida a honra aos militares do Projeto 8 de efetuar o corte do bolo e participar no brinde à mulher Moçambicana, e em especial a todas as mulheres que prestam serviço na ESFA.
O evento continuou com um almoço de convívio confecionado pelas alunas do CFS e terminou com um baile, onde todos os presentes tiveram oportunidade de dançar ao som da música tradicional Moçambicana.

Angola- Projeto 5- Centro de instrução de operações de paz

No período de 18 de março a 12 abril de 2013, decorreu nas instalações do 197º Regimento de Defesa Anti Aérea da Força Aérea Nacional o 8º Curso Avançado de Operações de Paz. A condução deste curso foi da responsabilidade do Centro de Instrução de Operações de Paz (CIOP), assessorado por Portugal no âmbito do projeto 5 da cooperação bilateral entre Portugal e Angola, cuja Entidade Tecnicamente Responsável é a Escola Prática de Infantaria.
O presente curso teve um caráter conjunto, tendo contado com a participação de 16 oficiais superiores dos três ramos das Forças Armadas Angolanas, com o objetivo de os habilitar a desempenhar as funções de formador, de Comandante de Batalhão e Companhia e Oficial de Estado-Maior, nas tarefas de formação e conduta de Operações de Paz, integrando uma Força Nacional ou Multinacional.
Os principais módulos de formação permitiram abordar diferentes temáticas teóricas e práticas designadamente:
·  a caracterização das organizações internacionais, regionais e sub-regionais no âmbito das operações de paz;
·  o processo de decisão e de planeamento de operações de paz;
·  técnicas e procedimentos operacionais;
·  a instrução e aprontamento de forças.
O processo formativo incluiu ainda um exercício num figurino de MAPEX onde o processo de decisão militar e as demais matérias teóricas anteriormente abordadas foram aplicadas. Houve ainda tempo para palestras no âmbito da relação com os OCS em Operações de Paz e da experiência em forças militares destacadas em ambiente multinacional no cumprimento de Operações Paz.

Angola- Projeto 9- Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional: Cerimónia de apresentação pública das aeronaves Cessna 172R

Decorreu, no passado dia 20 de abril, na Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional (EMAFAN), na cidade do Lobito, a cerimónia de apresentação pública das seis aeronaves do Tipo Cessna 172R, adquiridas pela República de Angola aos Estados Unidos da América.
A cerimónia, presidida por Sua Excelência, o Ministro da Defesa Nacional da República de Angola, General Cândido Pereira dos Santos Van-Dúnem, contou com a presença das mais altas individualidades militares angolanas, nomeadamente Sua Excelência, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, General Geraldo Sachipengo Nunda e os responsáveis dos três ramos das FAA, Suas Excelências, General Francisco Lopes Gonçalves Afonso, General Lúcio Gonçalves do Amaral e Almirante Augusto da Silva Cunha, Comandantes da Força Aérea Nacional, do Exército e da Marinha de Guerra Angolana, respetivamente.
Também altas individualidades civis marcaram presença no evento, destacando-se a presença do Vice-Governador da Província de Benguela, Dr. Eliseu Epalanga e a Administradora do Município da Catumbela, Senhora Filomena Pascoal.
Por convite expresso do Comando da Força Aérea Nacional, esteve presente, na cerimónia, o Diretor Técnico do Projeto 9, Tenente-Coronel Francisco Gonçalves e todos os militares que compõem o Polo de Atividade do Lobito.

Angola- Projeto 9- Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional: Curso de Sargentos de Manutenção de Material Aéreo (CMMA 01/12).


Em 22 de abril de 2013, na Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional no Lobito - Angola, procedeu-se à cerimónia de encerramento do Curso de Sargentos de Manutenção de Material Aéreo, presidida por Sua Excelência, Brigadeiro Carlos Pina, Adjunto do Chefe da Direção de Preparação Combativa e Ensino.
O curso, cuja realização foi da responsabilidade da EMAFAN, com assessoria da cooperação técnico-militar portuguesa, decorreu no período de 06AGO12 a 15ABR13, contou com a presença de 23 alunos da classe de praças da Força Aérea Nacional que o concluíram com aproveitamento, sendo que parte da componente teórica foi ministrada por três dos assessores residentes do Polo do Lobito, do Projeto 9, ao longo de 409 tempos letivos.
 
 

Angola- Projeto 9- Escola Militar Aeronáutica da Força Aérea Nacional- Visita de Sua Excelência o Embaixador de Portugal em Angola, Dr. João da Câmara, à Província de Benguela

Em 23 de abril de 2013, o Chefe do Polo do Lobito e restantes militares, deste Polo, foram convidados para um seminário sobre “novas oportunidades de colaboração entre empresas angolanas e portuguesas”, realizado no auditório do Hospital Central de Benguela, por ocasião da visita, à Província de Benguela, de Sua Excelência, o Embaixador de Portugal em Angola, Dr. João da Câmara, que presidiu ao seminário.
No decurso deste seminário, foram proferidas alocuções por Sua Excelência, o Embaixador de Portugal em Angola, por Sua Excelência, o Vice-Governador de Benguela para a área económica, Dr. Agostinho Felizardo e pelo Diretor Coordenador da Agência para o Investimento e Comercio Externo de Portugal em Angola, Dr. Luís Miguel Moura.
O seminário foi seguido de uma mostra de produtos de empresas portuguesas e da recepção, realizada no Hotel Praia Morena, em Benguela.

Angola- Projeto 8- Marinha de Guerra Angolana- Abertura oficial do ano letivo 2013/2014 na Academia Naval


Decorreu no passado dia 19 de abril, na Base Naval de Luanda, a cerimónia de abertura do ano letivo 2013/2014 da Academia Naval. O evento contou com a presença do Comandante da Marinha de Guerra Angolana Almirante Augusto da Silva “Gugú” e do Ministro do Ensino Superior, Dr. Adão do Nascimento. Para além da presença de grande parte dos oficiais generais da MGA, estiveram presentes oficiais generais do Exército e da Policia Nacional, em particular ligados ao ensino militar, e de todo o corpo docente e discente da Academia Naval.

A cerimónia iniciou-se com uma alocução do comandante da Academia Naval, VALM João Maria Ferreira. Nesta intervenção foi efetuada uma retrospetiva e uma avaliação do trabalho já realizado e apresentadas algumas estatísticas relativas ao corpo discente. Das preocupações referidas, destacou-se o seguinte: o fato da Academia Naval estar em instalações provisórias, o que tem vindo a dificultar a sua expansão; à fraca formação de base que os jovens candidatos apresentam, e que é transversal a toda a sociedade angolana; e à necessidade de reconhecer o ensino superior militar como parte do subsistema de ensino superior no país. Estas preocupações acarretam limitações à Academia Naval, para além de comprometer o futuro do ensino superior militar e ensino superior no geral.

Seguiu-se uma preleção do ministro do Ensino Superior subordinada ao tema da integração do subsistema militar de ensino superior no subsistema de ensino superior angolano, seguindo-se a outorga de diplomas de mérito aos cadetes dos 2º e 3º anos e a mensagem de agradecimento e de abertura do ano académico da Academia Naval pelo comandante da Marinha de Guerra de Angola.

Em ambas as intervenções, quer do comandante da Academia Naval, quer do comandante da MGA foram efetuadas referências elogiosas à assessoria portuguesa e ao seu papel determinante na edificação da Academia Naval. Para concluir o evento um grupo musical da MGA atuou com música tradicional, seguindo-se um pequeno buffet para todos os participantes, oportunidade de confraternização entre os convidados.

Angola- Projeto 6- Estado-Maior do Exército- Formação em Liderança no Quartel-General da Região Militar Centro – Huambo


No período de 22 a 26 de abril de 2013, no âmbito do Projeto 6, realizou-se, no Quartel-General da Região Militar Centro (RMC), um seminário de formação em liderança para os oficiais que integram o Comando e Estado-Maior, bem como o Comando das Grandes Unidades da RMC.

O Comandante em Exercício da Região Militar do Centro – TGen. João Serafim Kiteculo - acompanhou os trabalhos teórico-práticos, procurando, dinamizar os trabalhos e estimular e influenciar os oficiais a empenharem-se de forma dedicada e profissional no seminário de liderança.

A formação em liderança foi ainda alargada à Polícia de Segurança Nacional (PSP), que para ali deslocou o Sub-Comissário Joaquim Pereira para a área Operacional e de Intervenção, em representação do Comando Regional da PSP, assim como o Superintendente Chefe João Martinho.

A cerimónia de encerramento foi presidida pelo Comandante em Exercício e 2º Comandante da Região Militar Centro, Tenente-General João Kiteculo, saudando o Comando do Exército pela iniciativa e exortando os presentes a aprofundarem e a alargarem os seus conhecimentos numa área que, não sendo específica dos militares, constitui um desafio permanente a quem serve a Instituição Militar.

domingo, 14 de abril de 2013

A outra Crise dos Mísseis: O programa balístico norte-coreano

Pelo Tenente Coronel José Mira
 
Ao abordar o tema em epígrafe poderá pôr-se a questão de saber que importância tem, para Portugal, o programa de mísseis balísticos da República Democrática e Popular da Coreia (vulgo, Coreia do Norte), sabendo-se que Lisboa está a 10219 km de Pyongyang. Para além da óbvia preocupação de poderem vir a ser desenvolvidos mísseis com aquela gama de alcances, a região onde se insere a Coreia do Norte é uma importante parceira comercial de Portugal. Assim, Portugal exportou para a Coreia do Sul, em 2011, bens no valor de cerca de 54 milhões de euros, para o Japão, exportou cerca de 192 milhões de euros de mercadorias, para Taiwan cerca de 62 milhões de euros e para a China cerca de 400 milhões de euros (dados do INE, via AICEP). Qualquer situação de conflito na península coreana perturbaria estes fluxos económicos, para além de influenciar negativamente outros aspetos, a nível mundial.

Estabelecido o anterior, recordaremos que, em 12 de dezembro de 2012, o Estado norte-coreano atingiu, ao fim de largos anos e várias tentativas falhadas, um dos mais importantes objetivos do seu programa de desenvolvimento de veículos de lançamento espacial (segundo os norte-coreanos) ou de mísseis balísticos (segundo a generalidade dos outros Estados).

Com efeito, o lançamento com sucesso do veículo aerospacial Unha-3 (após uma tentativa falhada em abril anterior), subsequente separação dos seus três andares e posterior injeção em órbita de um satélite artificial Kwangmyongsong-3, configurou a ultrapassagem de um dos mais significativos marcos críticos tecnológicos (technological bottlenecks) de um tal programa, a correta separação de andares, visando a obtenção de um míssil intercontinental.

Como seria expectável, os vizinhos da Coreia do Norte observaram aquele evento com preocupação (mesmo estando já sujeitos, há vários anos, à ameaça balística de Pyongyang), acompanhados pelos Estados Unidos, agora teoricamente um pouco mais vulneráveis, e pela generalidade da chamada Comunidade Internacional.

É de referir que, de facto, as tecnologias e materiais empregues em mísseis balísticos e aquelas usadas no desenvolvimento de veículos de lançamento espacial (SLV-Space Launch Vehicles, vulgofoguetões” ou “foguetes espaciais) são semelhantes, excluindo-se as associadas às cargas militares.

Sendo certo que não basta proceder a um lançamento vitorioso para se poder dizer que se possui uma capacidade intercontinental, não deixa de ser notável que um Estado de médio desenvolvimento tecnológico, aplicando recursos vultuosíssimos, à sua escala, em face de restrições internacionais e relegando para segundo plano o bem-estar do seu povo, consiga aceder a um patamar que apenas grandes potências, estabelecidas ou emergentes, ocupam.

Recorrendo ao texto de artigo recentemente publicado[1] que aborda, entre outros, o programa norte-coreano de mísseis balísticos, procuraremos caracterizar, nos parágrafos seguintes, este programa. Assim, iniciou-se o mesmo nos anos 70 do século XX, com a receção de SCUD provenientes do Egito e que, mediante uma apurada engenharia reversa (reverse engineering) e assistência inicial chinesa, permitiu ao “Estado eremita”, não só vir a possuir no seu arsenal pelo menos 500 Hwasong, derivados do SCUD e 200 No Dongs, como transformar-se num exportador (ou proliferador) destes mísseis e das suas tecnologias, dando origem a múltiplos desenvolvimentos no Irão, Líbia, Síria e Paquistão (com o Irão parece até ter existido um programa combinado para o desenvolvimento do No Dong 1/Shahab 3). Mesmo alguns países africanos, segundo uma maciça e mediaticamente famosa fuga de informação, foram alvo das ações comerciais da Coreia do Norte, neste âmbito.

Outro míssil notável da panóplia norte-coreana é o Musudan (designação ocidental), com um só andar a propergol líquido, já ao serviço em veículos TEL (Transporter-Erector-Launcher) do Gabinete de Orientação da Instrução de Mísseis (aparentemente, o operador dos mísseis da Coreia do Norte). Ainda, em 2012, na parada comemorativa do centenário do nascimento do Grande Líder Kim Il-Sung, foi revelado ao mundo um míssil de grandes dimensões, conhecido por KN-08, transportado num TEL de 16 rodas, suscitando dúvidas sobre se se trataria de um míssil de médio alcance ou intercontinental.

Têm sido desenvolvidos, ainda, mísseis de maiores dimensões, como o Taepo Dong-1 (consistindo num No Dong 1 como primeiro andar, associado a um Hwasong 6 como segundo andar e ainda a um terceiro andar provido de um motor-foguete de propergol sólido) enquanto o Taepo Dong-2 parece consistir num primeiro andar encerrando quatro motores-foguete a propergol líquido dos No Dong, num No Dong como segundo andar e num terceiro andar também provido de um motor-foguete de propergol sólido.

Foi com um míssil Taepo Dong 2 (o referido lançador Unha-3, Galáxia-3, segundo tradução da imprensa) que a Coreia do Norte levou ao espaço o satélite mencionado no primeiro parágrafo (Estrela Brilhante-3), contrariando a moratória auto-assumida em março de 2012 sobre o lançamento de mísseis de longo alcance (tal como já o tinha feito com o lançamento falhado de abril).

Maior constrangimento que aquela moratória são as Resoluções 1718 e 1874, do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Elas estabelecem diversas medidas restritivas às transferências de bens e tecnologias de mísseis balísticos de e para a República Democrática e Popular da Coreia, exigindo ainda o fim de ensaios envolvendo tecnologias de mísseis balísticos, além de outras restrições. Tais Resoluções foram mais recentemente reforçadas com a Resolução 2087, de 22 de janeiro do corrente ano, sendo de referir que Portugal presidiu,  ao Comité do Conselho de Segurança estabelecido na sequência da Resolução 1718 (2006), vulgo “Comité de Sanções contra a Coreia do Norte”.

Refira-se que os desenvolvimentos norte-coreanos nesta área levaram a Coreia do Sul a encarar o desenvolvimento de mísseis comparáveis, o que já mereceu a concordância americana, no que respeita ao aumento de alcances de mísseis de 300 para 800 quilómetros.

Sublinhe-se ainda, e relacionando os programas balístico e nuclear, que é mais fácil adaptar eventuais engenhos nucleares ao avião que ao míssil, dadas as extremas solicitações térmicas e mecânicas de um voo balístico e a necessidade de miniaturizar, em volume e massa, a carga militar de modo a ser transportável no míssil, sendo também nesta perspetiva que devem ser analisados os progressos nucleares da Coreia do Norte.

Que ações têm sido tomadas, ou poderão vir a sê-lo, pela Comunidade Internacional na contenção deste programa?

Antes de mais, a ação diplomática, que será a primeira das contramedidas relativas a um qualquer programa de mísseis, no âmbito do controlo de armamentos e não-proliferação. Neste campo podem inserir-se, por exemplo, as démarches levadas a cabo junto da Coreia do Norte, em abril de 2012, visando fazê-la desistir da intenção de testar em voo, como foi já mencionado, o lançador de satélites Unha (para os norte-coreanos) ou o míssil Taepo Dong 2 (para as potências regionais e EUA). Tais diligências,  não tiveram sucesso, podendo alguns contestar a eficácia das diligências diplomáticas junto da Coreia do Norte, neste campo como noutros.

Outra contramedida a salientar será o mecanismo legal e administrativo conhecido por controlo de exportações(de bens e tecnologias sensíveis) já levado a cabo por várias nações relativamente à Coreia do Norte, desde há anos e de modo mais ou menos discreto -, mas ultimamente reforçado pelas Resoluções atrás mencionadas. Alguns resultados terá obtido mas, como é óbvio, não impediu o sucesso norte coreano de dezembro de 2012, nem outros desenvolvimentos, podendo alegar-se que, simplesmente, os atrasou.

A fase seguinte de contramedidas a considerar abandona já o âmbito das ações não-bélicas e inscreve-se definitivamente na esfera militar. Trata-se da defesa ativa  contra eventuais ataques de mísseis balísticos, consistindo no seu abate, numa das suas fases de voo, por mísseis antimíssil, antes que aqueles atinjam os seus alvos. Aquando dos lançamentos espaciais norte-coreanos, o governo nipónico pôs em prática a distribuição de mísseis Patriot pelo seu território, incluindo no centro de Tóquio e o envio de navios de guerra da classe Kongou, dotados do sistema radar Aegis e armados com mísseis intercetores Standard, para junto das costas coreanas. É também no Japão que está instalado um dos três radares antimíssil AN/TPY-2 localizados fora dos EUA.

Finalmente, como ultima ratio, ter-se-ia a realização de operações militares visando a neutralização, pré-lançamento, de mísseis balísticos e seus meios de apoio, no território do Estado norte coreano (operações de counterforce), as quais configurariam, se não existissem já hostilidades declaradas, um casus belli de graves consequências, com a possível exceção de ações armadas especiais, cobertas ou clandestinas, que consigam camuflar (pelo menos publicamente) a sua origem.

Recordamos o parágrafo inicial deste texto para opinar que as entidades estatais portuguesas competentes terão de manter a atenção que dedicam ao programa de mísseis aqui abordado (e a outros, até mais próximos geograficamente). Dizemos “entidades”, no plural, pois em cada Estado interessado, é necessária uma abordagem pluridisciplinar, não se esgotando numa só entidade a expertise requerida para tal acompanhamento. Obviamente, impõe-se, neste campo, uma adequada coordenação interdepartamental.



[1] Mira, José (2012). Mísseis Balísticos: Tecnologias, Programas de Desenvolvimento e Contramedidas em Revista Militar, Empresa da Revista Militar, II Século, 64º Volume, Nº 2530 (novembro 2012), pp. 1045-1076


 

sábado, 13 de abril de 2013

INICIATIVA 5+5 Defesa- Reunião do projeto de criação do centro de coordenação e planeamento operacional (CCPO) 5+5


No âmbito da Iniciativa 5+5 Defesa, decorreu em Creil (França) de 2 a 4 de abril de 2013, a segunda reunião relativa ao projeto de Criação do Centro de Coordenação e Planeamento Operacional (CCPO) 5+5. O objetivo do encontro foi dar continuidade aos trabalhos relativos à proposta francesa, no sentido de elaborar os Termos de Referência (TOR) deste Projeto e um Plano de Ações a desenvolver. Neste contexto, é intenção criar e implementar uma estrutura operacional (não permanente) com capacidade para planear e coordenar o emprego de meios militares dos Estados-Membros (EM) da Iniciativa 5+5 Defesa, envolvidos numa missão de apoio, após um pedido de ajuda de um ou mais países 5+5 numa situação de catástrofe.

Estiveram representados todos os EM da Iniciativa, sendo que pela parte nacional esteve o Tenente-Coronel Vitor Sanches (POC da Iniciativa 5+5 Defesa na DGPDN) e o Capitão-de-Fragata Manuel Parracha (do Estado-Maior Conjunto/EMGFA). Refira-se que dos 16 delegados presentes, 7 são elementos constituintes do Comité Diretor da Iniciativa 5+5 Defesa, demonstrando a importância e preocupação com os desenvolvimentos futuros deste Projeto.

A reunião decorreu num clima de franca amizade e cordialidade entre os presentes. Salientou-se a grande importância desta Iniciativa na manutenção e reforço da segurança dos EM, referindo ainda que devemos primar pela qualidade dos eventos, em detrimento da quantidade, bem como dar um maior apoio aos projetos em curso, assim como criar novas iniciativas num futuro próximo. Referiu-se ainda a grande utilidade e importância deste projeto no seio da Iniciativa 5+5 Defesa, reforçando a cooperação e a confiança entre os EM 5+5.

Considera-se que os objetivos propostos para a reunião foram plenamente atingidos, materializando-se na elaboração de uma proposta de TOR e de um Plano de Ações a desenvolver no âmbito deste Projeto até 2016.
A França, como país anfitrião, demonstrou uma grande vontade e dedicação, na organização deste evento, mostrando o seu interesse em levar a cabo os seus objetivos relativamente a este projeto.

Brasil


No seguimento de convite do Ministério da Defesa do Brasil, Sexa. o Ministro da Defesa Nacional, Dr. José Pedro Aguiar-Branco fez-se representar pelo Diretor-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa, Major-General Manuel de Matos Gravilha Chambel, e comitiva, na Exposição Internacional de Defesa e Segurança “LAAD-Defence & Security 2013”, no Rio de Janeiro entre 9-12 de abril. Acompanhou os trabalhos o Adido de Defesa em Brasília, Coronel António Salgueiro.

China


De 15 a 19 de abril de 2013 realizou-se a visita a Lisboa de uma task-force, composta por 3 navios, chefiada pelo Contra‑Almirante Li Xiaoyan, Vice-Chefe do Estado-Maior da Frota do Mar do Sul.

Estados Unidos da América

Teve lugar no dia 3 de abril, no Ministério da Defesa Nacional, a Reunião Preparatória da 43.ª Comissão Técnica Portugal-EUA, tendo em vista coordenar a posição portuguesa em diversos projetos submetidos pela parte norte-americana, no âmbito das infraestruturas localizadas na Base Aérea N.º 4/Lajes. A reunião com a delegação norte-americana realizou-se posteriormente, em 4-5 de fevereiro, no mesmo local. A Direção-Geral de Política de Defesa Nacional esteve representada nas duas sessões de trabalho, conduzidas pelo Coordenadora da Comissão Técnica da Direção-Geral de Armamento e infraestruturas de Defesa do MDN.

 
A 16 de abril de 2013 realizaram-se, no Pentágono, as IV High Level Defense Policy Talks. A reunião decorreu conforme a agenda pré-estabelecida, num ambiente de grande pragmatismo e flexibilidade, refletindo, por um lado, espírito de cooperação e, por outro, a continuação da promoção do desenvolvimento das relações de defesa entre Portugal e os EUA. A delegação nacional foi chefiada pelo Diretor-Geral de Política de Defesa Nacional, Dr. Nuno Pinheiro Torres, sendo que pelo lado norte-americano a chefia coube ao Deputy Assistant Secretary of Defense for European & NATO Policy (DASD), James Townsend.

 
No âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA, realizou-se a 32ª Comissão Bilateral Permanente, no State Department (em Washington, a 17 de abril de 2013.A delegação do Ministério da Defesa Nacional foi chefiada pelo Diretor-Geral de Política de Defesa Nacional, Dr. Nuno Pinheiro Torres, sendo composta pelo Comandante da Zona Aérea dos Açores, Gen. Luís Ruivo, pela Coordenadora da Comissão Laboral, Prof.ª Doutora Catarina Mendes Leal; e, pela Coordenadora da Comissão Técnica, Arquiteta Rita Cabral. Da parte da Defesa foram comunicadas, em sede da 32ª Comissão Bilateral Permanente, conclusões das IV High Level Defense Policy Talks, do Comité de Defesa, bem como os assuntos relacionados com as áreas laboral e técnica.

 
A 25 e 26 de junho de 2013 irá ter lugar em Washington a 35ª reunião da Comissão Laboral. A delegação nacional será chefiada pela Coordenadora da Comissão Laboral, Prof.ª Doutora Catarina Mendes Leal.

 







sexta-feira, 12 de abril de 2013

Timor-Leste - Projeto 4- Estrutura Superior de Defesa- Abertura do 1º Curso de Promoção a Oficial Superior para as FALINTIL-Força de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL)


Decorreu no dia 08 de abril de 2013, no Centro de Instrução Comandante Nicolau Lobato em Metinaro, a cerimónia de abertura do Curso Elementar de Combate em Áreas Edificadas (CECAE) para Oficiais das F-FDTL que contou com a presença do Exmo. Cor FALUR RATE LAEK, CEM das F-FDTL e da comunicação social timorense.

O CECAE destina-se a habilitar os militares a desempenhar as funções de instrutor de combate em áreas edificadas até ao escalão de Pelotão de Atiradores.

O curso possui uma duração de 119h distribuídas por 5 semanas e vai ser frequentado por 10 Oficiais Timorenses.
 

Timor-Leste - Projeto 1 – Estrutura Superior de Defesa- Abertura do 1º Curso de Promoção a Oficial Superior para as FALINTIL-Força de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL)


No dia 05 de abril, nas instalações do Instituto de Defesa Nacional de Timor-Leste (IDN-TL), atualmente a funcionar no Palácio do Governo, em Díli, teve lugar a abertura do 1º Curso de Promoção a Oficial Superior (CPOS) para as FALINTIL-Força de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

A cerimónia decorreu de forma singela, com intervenções do Diretor do IDN-TL, Capitão-de-Mar-e-Guerra “CMD” Donaciano Gomes e do Diretor de Curso, Major Arlindo Domingues, Assessor Técnico do Projeto 1, em funções naquele Instituto para apoio à preparação e condução do 1º CPOS.

O CPOS conta com a presença de nove alunos – 2 majores, 6 capitães e 1 primeiro-tenente – e tem por finalidade, além de conferir competências e os conhecimentos técnico-militares necessários ao desempenho de cargos e exercício de funções como oficiais superiores, actualizar e uniformizar conhecimentos dos oficiais das F-FDTL e consolidar o espírito de corpo das F-FDTL, constituindo-se assim não apenas como um curso de promoção mas também como um curso de qualificação.

Cerimónia de entrega de certificados aos formandos do Curso de Formação em Língua Portuguesa, nível A2 (elementar), nas F-FDTL


Decorreu no passado dia 16 de abril de 2013, no auditório do Quartel-General das FALINTIL – Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), a cerimónia de entrega de certificados aos formandos das 1ª e 2ª edições do Curso de Formação em Língua Portuguesa de nível A2 (elementar).


Este evento foi presidido pelo Chefe de Estado-Maior das F-FDTL, Coronel Falur Rate Laek. Participaram ainda na entrega dos certificados, o Secretário de Estado da Defesa de Timor-Leste, Dr. Júlio Thomas Pinto e o Adido de Defesa de Portugal, Coronel de Infantaria Manuel Caroço Prelhaz, em representação do Embaixador de Portugal em Díli.

Esta formação foi ministrada no Quartel da Polícia Militar, entre 28 de janeiro e 11 de abril de 2013, a oitenta e seis formandos (oitenta e um militares das F-FDTL e cinco funcionários civis da Secretaria de Estado da Defesa), integrando no projeto de Formação em Língua Portuguesa implementado no âmbito da Cooperação Técnico-Militar Luso-Timorense.

Moçambique- Projeto 2 – Marinha de Guerra de Moçambique- Grupo de Escolas de Formação da Marinha – Tirocínio Para Oficiais (TPO)


No âmbito do curso de Marinha da Academia Militar Marechal Samora Machel (AMMSM), foi ministrado aos 69 cadetes do 4º ano do TPO no Grupo de Escolas da Marinha de Guerra de Moçambique (28 de Marinha, dos quais 6 femininos, 17 de Administração Militar, dos quais 2 femininos e 24 de Fuzileiros) o módulo de Primeiros Socorros, Técnicas de Formação, Limitação de Avarias e Navegação e Hidrografia, com a duração de 8 semanas.

Este módulo, revestiu-se de uma enorme mais-valia, pois permitiu que os alunos desenvolvessem competências em áreas específicas, das quais se realçam a Limitação de Avarias, onde tiveram oportunidade de treinar situações de incêndio e de alagamento num compartimento.




Combate a incêndios

A formação permitiu ainda introduzir os cadetes na área da manobra com embarcações miúdas, viabilizando a integração de conhecimentos da área formativa do módulo de Marinharia no contexto real de trabalho.
 
 
 
 


Aulas práticas de embarcações miúdas

Moçambique- Projeto 2 – Marinha de Guerra de Moçambique- Comemorações do Dia da Marinha de Guerra de Moçambique


No passado dia 1 de abril comemorou-se o Dia da Marinha de Guerra de Moçambique (MGM), que relembra a entrega das unidades navais e das infraestruturas de Marinha em Moçambique por parte da Marinha portuguesa à Marinha moçambicana (31 de março de 1975) decorrente do Memorandum de Entendimento (MdE) assinado em Lusaka/Zâmbia entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o Governo português. As cerimónias deste ano tiveram como palco a cidade de Maputo, onde há décadas atrás se estabeleceu o Comando da Marinha de Guerra de Moçambique.

As atividades de comemoração do Dia da Marinha 2013 começaram com o içar da bandeira nacional, seguindo-se uma breve alocução do Chefe do Estado-Maior da Marinha de Guerra de Moçambique, Comodoro Rivas Mangrasse, em representação do Comandante da Marinha, Contra Almirante Lázaro Menete, alusiva à data comemorada. De seguida, tomou a palavra o Vice-Chefe do Estado Maior General da FADM, Tenente-General Olímpio Cambona, que saudou os presentes na cerimónia, em especial os veteranos, e encorajou os jovens militares a seguirem o exemplo desses militares que serviram com audácia e abnegação a "Pátria amada".

De seguida teve lugar um dos momentos mais significativos das comemorações do Dia da Marinha, a homenagem feita aos militares da Marinha mortos. Nesta singela cerimónia, mas de forte significado, foi lançada uma coroa de flores ao mar, tendo sido evocados todos aqueles militares que, com as suas ações, através de um forte comprometimento e inabalável determinação, persistiram na edificação de uma Marinha eficiente, eficaz e apta a cumprir as suas missões, e desse modo contribuir para a segurança e defesa, e para a estabilidade, melhoramento e crescimento do País.

O programa das comemorações contou ainda com várias outras iniciativas, destacando-se a entrega de prémios desportivos, relativos às provas realizadas em 25 de março. Destaca-se, ainda a entrega de condecorações, cerimónia de promoções de oficiais e a entrega do prémio à unidade da Marinha que durante o ano operacional teve melhor desempenho. Este ano o prémio coube à Base Naval de Pemba.

As festividades do Dia da Marinha 2013 tiveram o seu momento mais alto durante o programa cultural, onde um grupo de danças etnográficas das FADM realizou várias danças tradicionais, para regozijo da assistência, dramatizando, em seguida, cenas da vida militar, sempre com o objetivo de alinhar os seus militares para os valores da formação cívica e patriótica.

Ainda no âmbito das comemorações tiveram lugar diversas provas desportivas e demonstrações de capacidades na Baia de Maputo, nomeadamente uma travessia de bote a remos da Baía e uma demonstração de manobras e evoluções com botes dos Fuzileiros.

Seguiu-se a cerimónia militar que teve lugar na parada do Grupo de Escolas de Formação, presidida pelo Vice CEMGFADM, Tenente-general Olímpio Cambona, em representação do General CEMGFADM. As Forças em parada foram comandadas pelo Capitão-de-fragata Waite, e constituídas pela fanfarra, pelo estandarte nacional e quatro companhias de alunos e militares da MGM.

No final das comemorações houve um almoço convívio, onde participaram todos os convidados, militares e civis que assistiram às cerimónias. No final, o Comodoro CEM enalteceu a colaboração de todos na realização dos diferentes eventos, dando público testemunho da preciosa colaboração que a Cooperação portuguesa tem prestado à MGM ao longo destes anos.